
A psiquiatra alertou que a tragédia em Realengo pode disparar o potencial de outras pessoas que tenham tendência para cometer crimes parecidos.
O Bom Dia Brasil conversou com a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva para comentar a mente do atirador. Ela lembrou que, ao contrário do que se tem dito, não é a primeira vez que uma tragédia como essa acontece no Brasil. Houve um caso em 2003, em Taiúva, no interior de São Paulo, e em 2004, em Remanso, no interior da Bahia. “Jovens que estudaram nas escolas voltaram e fizeram os disparos. Houve mortes, mas não tão grave e com essa dimensão”, disse, se referindo ao ataque em Realengo.
A psiquiatra alertou que o acontecimento desta quinta-feira (7) pode disparar o potencial de outras pessoas que tenham tendência para cometer crimes parecidos. “Infelizmente, isso é possível. Temos que lembrar que ele não era um psicopata, era um psicótico, um esquizofrênico, que sai da realidade em que vive e vai para uma paralela”, disse.
Ana Beatriz disse que não havia dúvidas de que ele cometeria suicídio. Ela lembrou o conteúdo da carta deixado por Wellington, que mencionava religião, problemas familiares e fanatismo. “Havia um teor sexual. O sexo não como algo saudável, mas como algo sujo. A gente não consegue enxergar isso como algo lógico, porque o delírio de uma pessoa é uma certeza que para a gente não faz sentido.”
Ela ainda ressaltou que algumas pessoas têm tendência para tomar atitudes inusitadas, e que os sinais disso já podiam ser vistos em Weelington.
Fonte: G1 e Bom Dia Brasil, Edição do dia 08/04/2011
Nota do 7Com News
Muito lúcida e coerente a entrevista dada pela Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva ao Bom Dia Brasil. Dela ressaltamos 3 pontos importantíssimos: 1) Não é a primeira vez que isso acontece no Brasil – infelizmente, a tragédia se repete e, agora, em proporções jamais vistas; 2) Este jovem que cometeu esta barbárie e, em seguida, se suicidou – como acontece sempre nestes casos – “era um psicótico, um esquizofrênico, que sai da realidade em que vive e vai para uma paralela”. Foi o que aconteceu com Mateus da Costa Meira, mais conhecido por "O Atirador do Cinema" ou "O Atirador do Shopping" – aquele ex-estudante de Medicina que disparou uma metralhadora portátil contra pessoas da platéia de uma sala de cinema de um shopping center na cidade de São Paulo. Da mesma forma que Wellington, Mateus era viciado em jogos violentos de computador – videogames – e imergiu de cabeça e alma neste mundo virtual e paralelo ao ponto de confundir inteiramente realidade com ficção; 3) Como afirma o texto: “A psiquiatra alertou que o acontecimento desta quinta-feira (7) pode disparar o potencial de outras pessoas que tenham tendência para cometer crimes parecidos”. Foi assim nos EUA e em vários países da União Européia – em alguns casos, os assassinos até “homenageavam” os autores de massacres anteriores – e, infelizmente, ao que tudo indica, pode desencadear uma série de eventos trágicos como este aqui no Brasil. Oremos pelas famílias das vítimas. Que Jesus volte logo!
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